Aos 23 minutos do vídeo, durante uma performance do DJ Colibri em uma favela do Rio, vemos uma câmera capturando o rebolado de uma dançarina sem pudores, câmera essa dirigida por um braço com uma tatuagem de dinossauro, cujo dono também não tem nenhum pudor: Wesley Pentz, nosso amado Diplo. Após conseguir dificilmente, lá na Florida, pôr as mãos em algumas mixtapes de funk carioca, ele não sossegou até conseguir vir ao Brasil e passar 3 semanas com acesso a todos os bailes e produtores, e investigar o que significava e como eram as pessoas que viviam com, e do funk.
Aqui, não interessa o tráfico, a violência, a pobreza, ou qualquer outro termo que geralmente é ligado pra falar sobre a favela ou o funk, mas o prazer de fazer e conhecer a música, do samba ao Miami bass, seus “poetas do morro” com letras que conscientizam sobre a situação opressora em que vivem (e se você conhece a Valesca, já sabe que tipo de letra te espera também). Tudo pelo prisma de que a música que fazem representa seus desejos e conhecimentos, criando seus artistas e heróis que buscam ganhar a vida num ambiente tão hostil com dignidade e proveito de seus talentos, tudo isso contando com uma incrível fotografia e intimidade com os entrevistados.
E é nesse clima de heróis populares que o mineiro e marido da cantora Tiê, Leandro HBL, também produtor e diretor do documentário, interessado em como se dá a produção cultural das periferias com o advento das opções digitais mais baratas, que é também um rico tema do Favela on Blast, criou a série Reis da Rua, hoje na sua segunda temporada na TV Cultura, e que mostra o dia a dia de pessoas anônimas pelo mundo afora, mas tão importantes para a comunidade em que vivem.
Juntos, o Leandro e o Diplo nos dão uma visão neutra, rica e rara do que é o funk pela voz de quem faz, tema tão discriminado pelo próprios brasileiros, mas que não tem como negar: o funk existe e é uma importante página da cultura musical do nosso país pela sua importâcia social dentro e fora das periferias.
















