O trabalho ácido do artista Marcelo Fiedler

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O trabalho do artista curitibano Marcelo Fiedler, 29 anos, que encontrei no Instagram (estava em uma vibe 80’s e fui pro ig buscar por referências), que começou desde muito cedo a ilustrar e foi aperfeiçoando sua técnica com o passar do tempo, hoje faz com que embarquemos em uma maravilhosa trip com as cores ácidas que são sentidas em suas obras.

Com uma bagagem influenciada por artistas como Keith Hering, Simon Landrein e desenhos dos anos 90’s, percebe-se em seu trabalho a constante presença de mulheres em situações cotidianas, com um ar de mistério e apresentam enormes bolas, como, um yin yang de ácido, no lugar dos olhos tornando mais complicado o relacionamento dos personagens com o espectador. Sobre isso, Fiedler diz “sempre me relacionei com mulheres que tem um ~que~ meio parecido comigo, você não sabe muito bem onde essa pessoa quer chegar, é um negócio aberto, mas não é”.

 

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Sobre viver de arte no Brasil, Marcelo afirma que “é foda, mas é o que eu estou tentando fazer e muita gente tem vontade, não me vejo fazendo outra coisa… Já trabalhei em uma agência de design e não consegui me adequar. Foi com essa sensação que eu consegui tomar coragem e começar a tentar viver de um trabalho autoral. É difícil. Trabalho autoral é muito para você e tentar convencer as pessoas a comprarem torna tudo mais delicado. Oportunidades existem, mas a burocracia é enorme”.

Fiedler conta com uma arma muito poderosa atualmente que o ajuda a dispersar a sua arte: a internet, “o bom da internet é que todos têm o seu espaço lá, mas há competição para conseguir atenção e reconhecimento. Você precisa ficar se adaptando às novas plataformas que vão surgindo e sempre pensando em maneiras de tornar o teu trabalho relevante nesses meios. Minha dica para quem tá começando é: autoconhecimento. É difícil, mas quanto mais você se conhece, o seu caminho autoral vai se montando com mais facilidade”, ele conta.

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O artista se divide em um outro trabalho, projeto musical indie pop eletrônico, que consta com batidas e artes produzidas por ele, SSUP ≈ RISE, descrito em sua página oficial como “ZWERA INFINDAVEL ADENTRANDO NOSTALGIA, ARAZAÇÃO E RODADA DE SUCO GRÁTIS!!11”, sobre o projeto ele ressalta “Tudo começou de uma maneira muito descompromissada, eu fazia as batidas e mandava para o meu parceiro que coloca a voz. Todo o processo de produção acontece muito rápido. Um processo de maturidade e descompromisso total.”.

 

 

Com foco em dois trabalhos – ilustração e produção musical – que remetem a sua personalidade única, fico curioso em saber como é o espaço em que ele cria e se sente inspirado e automaticamente lembro do famoso arquiteto, Hundertwasser, que acreditava que cada pessoa tem três peles. A primeira é a da nossa aparência física, a segunda está representada nas nossas roupas e tudo que nós escolhemos usar e a terceira, na maneira que nós decoramos a nossa casa, nosso habitat. Cada uma dessas peles é importante, elas são a tradução da nossa alma. Por isso pedi para ele me descrever o seu ambiente de trabalho e a resposta foi a mais honesta, “Uma zona! Não sou a pessoa mais organizada do mundo, mas também nunca me perco nas minhas coisas.”.

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Marcelo Fiedler, artista brasileiro, que atualmente está em rolê pela Europa, divulgando seu trabalho, entra para o mundo BLCKMNDS carregando consigo a percepção suave e ácida da vida, como ele mesmo gosta de declarar:  “A vida é reggae music”.

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