Pablo Amaringo e a alucinação de suas telas

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Se fosse possível conduzir as imagens da mente de uma pessoa depois de ingerir Ayahuasca e passá-las por um projetor em telas, o resultado seria arte de Pablo Amaringo. Cheias de cor e toneladas de informação, as obras do peruano herdam um pouco da estética do muralismo mexicano e do surrealismo para retratar viagens cósmicas e “mirações” psicodélicas do artista.

Amaringo foi vegetalista, curandeiro e fundador de uma escola visionária de arte, usando como base de inspiração para suas telas processos de cura, a natureza amazônica e rituais de consagração da Hoasca (bebida produzida com plantas para rituais e usada na medicina alternativa).

A vida, marcada por acontecimentos que o projetaram em sua arte, impactou a obra de Amaringo de tal maneira que é possível tateá-la. Sua família passava por um período de pobreza e Amaringo, aos dezessete, teve problemas sérios no coração, ficando à beira da morte. Curou-se miraculosamente com a ajuda de um curandeiro e, durante a recuperação, começou a desenhar e pintar pela primeira vez. Sem dinheiro para pagar os utensílios artísticos, usava até mesmo batom e maquiagem de suas irmãs para dar luz às suas imagens.

Sua obra só veio a ser mais conhecida pelo mundo na década de 1980, quando já se desenvolvia como pintor e mediava sessões com a bebida. Nesse contexto, conheceu o antropólogo Luis Eduardo Luna e o ecólogo Dennis McKenna, que o estimularam a pintar as “mirações” que via após a ingestão da Ayahuasca. A partir desse momento, começou a surgir seu estilo, a mistura vibrante de cores, os detalhes, diversas cenas interconectadas, formas fluidas e espirais e referências riquíssimas das figuras xamânicas indígenas.

Retratada em diversos documentários e curtas, a arte do peruano ganhou os projetores do cinema alternativo. Mais do que retratos do uso dessa substância, sua obra representa suas experiências de contato com o Divino, além de abrir nossos olhos para a riqueza da cultura amazônica, a sabedoria e a beleza das florestas.

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Texto Rafaela Pietra

© Pablo Amaringo

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LNUS

Felipe Pedroso, é historiador, curador, pós-graduado em História, Arte e Cultura e especialista em Museografia e Patrimônio Cultural, dentre seus trabalhos, foi colunista web da Revista Trip e TPM e atualmente coordena o núcleo cultural do maior museu histórico a céu aberto do Brasil.

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