A poesia incisiva de Gabriel N. Andreolli

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Se você chegou a esse post deve estar questionando a abordagem da leitura aqui no BLCKDMNDS, mas não seria a poesia um tipo específico de arte? Uma alquimia de palavras, que juntas tem o poder de transformar e transforma-se, em despertar sensações e sentimentos – pois esse é o mesmo princípio que cabe a prática artística.

O autor aqui abordado é a síntese dessa premissa, um verdadeiro alquimista, é daqueles sujeitos hiperativos com talentos diversos: escritor, poeta, cineasta, roteirista e o que mais lhe der na telha, Gabriel N. Andreolli começou a escrever aos treze anos, foi estudante de Direito e conseguiu uma bolsa de pesquisa em Direitos Humanos na University of Notre Dame de Chicago, insatisfeito com a faculdade, deixou o Direito e mudou-se para Buenos Aires para estudar cinema, de lá produz uma arte fervescente, tal qual a cena portenha que lhe abriga. Nas palavras do autor:

Meu trabalho é ficção, baseado em fatos reais. Meus contos relatam um jovem melancólico e sonhador que tem que lidar todos os dias com a memória e a saudade, o encantamento com a arte, com a existência, com uma rotina de noites embriagadas e a busca incessante por inspiração.

Inspiração essa que não lhe falta, Gabriel também mantém o projeto Averso com seu amigo Gustavo Paes, criador do projeto que reúne poesia, devaneios e manifestações artísticas e através da instantaneidade do facebook, consegue atingir um número significativo de leitores. Reunindo textos de sua autoria e também de outros artistas como: Mariana Alonso, Felipe Tomazini e do próprio Gustavo.

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Sobre Universo Paralelo de Palavras e Tripas

Fácil é escrever sobre algo banal, difícil mesmo é escrever sobre algo ou alguém a quem se admira. Talvez por esse motivo relutei e prolonguei por quase um ano essa árdua tarefa, descrever “Universo paralelo de palavras e tripas”, do jovem autor Gabriel N. Andreolli. Quando recebi o livro em minha casa e devorei-o em uma única noite, correu por mim um misto de sensações, resultando num liquidificador emocional, daqueles que mexe e remexe suas memórias, fazendo emergir suas mais dolorosas e saborosas lembranças, um agridoce de sentimentos.

Sorri, chorei e me excitei a ler cada jogo de palavras que ardiam minhas entranhas. Ardor, aliás, é um dos reflexos da cultura latina mais marcantes na obra do autor, um delicioso hibridismo de drama e tesão. O livro cumpre o papel que sugere em seu título, um universo paralelo de palavras e tripas, que transcende o leitor fazendo-o remeter ao seus mais íntimos sonhos, medos e angústias, é impossível não se identificar com pelo menos uma de suas poesias.
Incisivo porque como numa terapia de acupuntura a cada palavra lida consegue uma reação de um sentimento despertado. Um Santiago Nazarian as avessas, se esse tem deslumbre sobre o obscuro e a morte, Gabriel, é justamente o oposto, tem fascínio pela vida e mais do que isso, pela vida vivida.

Gabriel N. Andreolli é um nome que não deve ser esquecido entre tantas promessas efêmeras dessa nova safra de poetas e escritores emergentes. Facilmente não será.

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Se interessou? O livro pode ser comprado por meio de sua página oficial na internet, por um preço honesto e simbólico.

Para saber mais do artista, acesse

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A arte em gifs animados de Bill Domonkos

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Arte em gif não é nenhuma novidade, a gente sabe disso, mas quem não adora, não é mesmo?! E fica difícil não tornar público um trabalho tão expressivo como esse, gifs animados fascinantes que usam de fotografias de filmes vintage, uma verdadeira colisão e recombinação de ideias, um experimento que combina alteração, edição e remontagem usando a tecnologia digital na obra do artista americano de São Francisco Bill Domonkos.

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O mundo encantado de Ginette Lapalme

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Um trabalho delicado, lúdico e cheio de personalidade, é assim que eu poderia descrever o trabalho da artista canadense Ginette Lepalme. Pouco se sabe sobre ela e isso é algo que torna sua arte ainda mais incrível. Torneado de um clima misterioso – transmite uma certa emoção, que encanta e seduz seu espectador. Existe hoje um grande hype em cima dos trabalhos manuais, fruto de um movimento inverso das grandes produções industriais, que procura resgatar as práticas artesanais e por conseguinte valorizar uma economia sustentável e local. Lapalme se insere nesse cenário, que busca por meio de sua arte, representar um misto de pop art com referências do folk e da psicodelia e até mesmo do folclore indígena norte-americano. Atual, moderno e irreverente!

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Instalações de arte em papel por Felipe Sepúlveda

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Quem acompanha o BLCKDMNDS sabe do nosso apreço pelas artes manuais, principalmente as mais minuciosas, é o caso do trabalho do artista chileno Felipe Sepúlvuda, que propõe uma instalação de arte desenvolvida a partir de três superfícies de papel cortadas manualmente (39 x 117 centímetros de cada superfície de papel). Das mesmos silhuetas de papel constrói uma paisagem rural inspirada pela geografia chilena, especificamente as paisagens de beira de estrada que cortam o país. Seu principal interesse por esse projeto é explorar as possibilidades de materiais de papel e a sua bidimensionalidade em condição tridimensional. Usando recursos como luz, sombra e um intenso trabalho manual que envolve o corte de milhares de miniaturas, tenta produzir cenas semelhantes ao original, fornecendo novas perspectivas espaciais e temporais. Simplicidade, originalidade e um trabalho de encher os olhos!

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Fotomanipulação translúcida de Amy Friend

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Uma fantástica série de foto manipulação da artista e fotógrafa americana Amy Friend que recuperou uma variedade de fotos antigas e criou a partir disso imagens com um novo significado, re-feitas, as fotografias vintage foram cuidadosamente furadas, permitindo a incidência de luz nos orifícios, proporcionando uma aspecto translúcido. A artista pretende com a série questionar a qualidade frágil do objeto fotográfico, mas também a própria fragilidade de nossas vidas, nossa história. Um projeto sensível e igualmente belo.

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A arte digital desfragmentada de David Marinos

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Com apenas 16 anos, o jovem e prodigioso artista que reside em Atenas na Grécia, David Marinos, cria uma arte fresca, original e transcendente. Por meio da junção de arte, fotografia digital e mídia o jovem transmite um certo domínio técnico na execução de sua arte, que claramente recebe influencias estéticas do vaporwave. Apesar de novo, o artista passou parte de sua vida transitando entre diversos países, algo que remete no multiculturalismo de sua obra, que também contempla uma narrativa que faz jus ao pós estruturalismo teórico, presente na mistura de elementos anacrônicos e desfragmentados. Centrado no hedonismo da juventude e nos valores efêmeros da estética, Marinos faz uma arte imponente e irreverente ao mesmo tempo sem soar pedante ou clichê, com certeza um nome a se tomar nota.

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Os efeitos visuais de Aakash Nihalani

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Aakash Nihalani criou uma série de instalações performativas intitulada de Landline, onde barras coloridas passam por indivíduos, conectando-os entre si e funcionando como extensões da paisagem urbana. Os participantes parecem examinar suas próprias entranhas e conexões, criando uma combinação inteligente de arte da parede e apliques nas camisetas. As peças são feitas com fita adesiva, papel colorido, ímãs, plástico corrugado, e muito domínio de ângulos. Ele afirma: “Meu trabalho de rua consiste basicamente em formas retangulares e quadradas. Selecionei lugares onde esse grafismo ganhasse inesperados contornos e uma elegante geometria pela cidade de Nova Iorque”.

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Pablo Amaringo e a alucinação de suas telas

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Se fosse possível conduzir as imagens da mente de uma pessoa depois de ingerir Ayahuasca e passá-las por um projetor em telas, o resultado seria arte de Pablo Amaringo. Cheias de cor e toneladas de informação, as obras do peruano herdam um pouco da estética do muralismo mexicano e do surrealismo para retratar viagens cósmicas e “mirações” psicodélicas do artista.

Amaringo foi vegetalista, curandeiro e fundador de uma escola visionária de arte, usando como base de inspiração para suas telas processos de cura, a natureza amazônica e rituais de consagração da Hoasca (bebida produzida com plantas para rituais e usada na medicina alternativa).

A vida, marcada por acontecimentos que o projetaram em sua arte, impactou a obra de Amaringo de tal maneira que é possível tateá-la. Sua família passava por um período de pobreza e Amaringo, aos dezessete, teve problemas sérios no coração, ficando à beira da morte. Curou-se miraculosamente com a ajuda de um curandeiro e, durante a recuperação, começou a desenhar e pintar pela primeira vez. Sem dinheiro para pagar os utensílios artísticos, usava até mesmo batom e maquiagem de suas irmãs para dar luz às suas imagens.

Sua obra só veio a ser mais conhecida pelo mundo na década de 1980, quando já se desenvolvia como pintor e mediava sessões com a bebida. Nesse contexto, conheceu o antropólogo Luis Eduardo Luna e o ecólogo Dennis McKenna, que o estimularam a pintar as “mirações” que via após a ingestão da Ayahuasca. A partir desse momento, começou a surgir seu estilo, a mistura vibrante de cores, os detalhes, diversas cenas interconectadas, formas fluidas e espirais e referências riquíssimas das figuras xamânicas indígenas.

Retratada em diversos documentários e curtas, a arte do peruano ganhou os projetores do cinema alternativo. Mais do que retratos do uso dessa substância, sua obra representa suas experiências de contato com o Divino, além de abrir nossos olhos para a riqueza da cultura amazônica, a sabedoria e a beleza das florestas.

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