Rurru mi panochia e sua arte nada (con) SENSUAL

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Longe de se definir pelo que a sociedade impõe, o gênero deveria ser em cada caso uma construção individual. Com esta premissa Rurru mi Panochia, alter ego da artista mexicana Almendra Sheira, promove uma visão livre e brincalhona do corpo humano e o que ela entende por sexualidade. A começar por seu alter ego Rurru Mi Panochia, já se vê o quanto a liberdade com o sexo faz parte da vida e, principalmente, do trabalho desta artista. Panochia, em alguns lugares da America Latina, é um sinônimo de vagina. Traduzindo-se assim em Rurru Minha Vagina. Segunda a artista a escolha do nome se deu pelo fato dele ser engraçado e sempre causar risos nas pessoas quando o pronunciam.

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A temática da sua arte gira em torno de fetiches, dissidências de gêneros, deuses pré hispânicos, amputações, tudo isso mesclado em desenhos despretensiosos e cores pasteis remetendo a um universo infantil, sem preconceitos e principalmente sem a culpa que muitas vezes o amadurecimento traz junto com a descoberta do sexo. O intuito da artista é mostrar que a concepção do belo não deve ser unilateral. E que seus desejos não precisam e nem devem se enquadrar em padrões impostos.
Sobre o uso de deuses pré hispânicos em sua obra, Rurru diz que sempre se interessou sobre arte erótica e pornô na cultura Greco-romana até que na universidade iniciou uma investigação sobre a cultura sexual que existia nos povos que habitavam seu país e desde então esses elementos se tornaram frequentes em seu trabalho.

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A Fotografia subversiva do Coletivo Gorsad Kiev

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Antes da cantora MØ mostrar um lado oculto da juventude periférica ucraniana no clipe de Kamikaze, de uma forma bem estilizada, é claro, o Coletivo Gorsad Kiev, que nós também já falamos aqui, mostrava, a um bom tempo, um lado cru do ‘jardim urbano’, tradução literal de Gorsad, do que é ser jovem em Kiev. Com uma estética pautada nos preceitos do “faça você mesmo”, com elementos da cultura underground, o trio registra retratos subversivos dessa parcela da população vulnerável e oterside. As imagens contrastam com os incidentes devastadores que estão afligindo o país e muitas vezes apontam para a ambiguidade da sexualização desses jovens, mostrando uma geração positiva que não se abala com os conflitos bélicos da região.

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A imagem apoteótica na obra de Agnieszka Osipa

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Um universo repleto de detalhes, mistério e figuras imponentes que emergem de cenários sólidos, essa é a composição do trabalho da artista Agnieszka Osipa, uma designer de moda que reside em Gliwice, Polônia. Seu trabalho consiste na criação de trajes majestosos e sublimes, cada peça apresentada é feita à mão, onde a artista dedica toda a sua atenção aos detalhes, com superfícies inteiras sendo intricadas e frisadas em projetos complexos. Uma fusão astuta com referências que vão da apoteose medieval à mitologia celeste, com um toque fresco e contemporâneo, o resultado artesanal do seu delicado trabalho em trajes e adereços de cabeça transformam suas roupas em verdadeiras obras de arte.

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Projeto Ínsual, e a transição do ser humano ao Ciborgue

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Já é um fato que hoje não saberíamos viver sem a tecnologia que se desenvolve dia a dia e ademas de não nos surpreendermos com todos os avanços, nos adaptamos as novidades como que em um passe de mágica e já estamos impacientes por mais. Passamos todos os dias com o celular grudado ao corpo, levamos para a cama e provavelmente é a ultima coisa que vemos antes de dormir e também a primeira ao despertar. Computadores, tablets, gadgets, futuros lançamentos como google glass o nem tão futuro assim, Apple watch, redes sociais, espaço virtual, como diria um famoso ditado popular: “O futuro é agora” não poderia estar mais certo. A relação homem e máquina é cada vez mais íntima, nos acostumamos com a tela fria e queremos mais, o que nos da a entender que a transição para o ciborgue já está perto de acontecer, quase podemos sentir e enquanto isso não acontece nos resta imaginar. Pensando nisso Jon Jacoson, artista chileno e Daniel Ramos Obregón, fashion designer colombiano se uniram para realizar o Projeto Ínsula, utilizando de plataformas digitais deram vida a uma pequena parábola que poderia ser a fusão final do humano com a máquina.

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O universo inquietante nas ilustrações de Igor Oliver

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Engana-se quem pensa que Curitiba, hoje, não tem uma cena emergente de arte e cultura, a capital paranaense tem crescido vertiginosamente na produção artística e revelado grandes talentos, prova disso é o trabalho do promissor ilustrador e artista visual Igor Oliver e seu projeto Sociedade da Mente Arte – um projeto que reúne suas ilustrações, poemas e imaginações. Imaginação, essa que não lhe falta, seu universo em papel é inquietante, seus personagens misturam estranhas sensações e perturbações exaltando elementos como a solidão no olhar, ingenuidade, erotismo e fantasia. A síntese de tudo isso se concentra na figura do coelho, como ponto dessa ingenuidade, inteligência e astúcia. Autodidata, o artista utiliza uma série de técnicas em nanquim, aquarela, grafite e caneta posca, para compor seu trabalho. O universo onde residem seus personagem são o refúgio do artista, que constrói pequenas narrativas íntimas, das quais transformam-se em poesia através de seu traço e sua percepção estética.

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Colagens contestadoras de Charles Wilkin

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A colagem é aquele estilo de arte que de cara já gera um fascínio, ela permeia entre o DIY underground de protesto, os diários das girls bathroom e a mixed media, mas é claro, com técnicas e conceitos legítimos. O fascínio vem justamente do poder de um artista poder realizar sua arte sobre algo já posto e existente com um toque identitário, uma intervenção, uma referência ou mesmo sua própria marca. A obra do artista Charles Wilkin, trabalha justamente isso, colagens que investigam a luta inata entre causa e efeito, derivada principalmente das manchetes dos jornais e tabloides – Wilkin transpõe essa desarticulação de sobrecarga de mídia e consumo alvejadas em analogias tangíveis, ou seja, utiliza-se do efeito imagético da mídia sobre nós para contestar o efeito midiático.

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Melancolia e hedonismo no curta ‘El Ultimo Toque’ de Gabriel N. Andreolli

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Lembra quando falamos do trabalho literário do jovem Gabriel N. Andreolli aqui? Pois é, agora o menino prodígio surge para nos apresentar seu trabalho cinematográfico, sim, além de poeta, ele investe na sétima arte. Estudante de Cinema na Universidad del Cine em Buenos Aires na Argentina, Gabriel produziu um curta-metragem intitulado El Ultimo Toque, nele, podemos concluir que seja lá qual for a plataforma por ele utilizada, terá sempre em seu trabalho a assinatura da essência poética. Simples, honesto, singelo e tocante, o curta mostra com delicadeza o sentimento da ausência, explorando os meandros obscuros da melancolia e do hedonismo, naquele que seria o último toque.

Olho nesse menino!