O universo inquietante nas ilustrações de Igor Oliver

QUERIDAS ORELHAS

Engana-se quem pensa que Curitiba, hoje, não tem uma cena emergente de arte e cultura, a capital paranaense tem crescido vertiginosamente na produção artística e revelado grandes talentos, prova disso é o trabalho do promissor ilustrador e artista visual Igor Oliver e seu projeto Sociedade da Mente Arte – um projeto que reúne suas ilustrações, poemas e imaginações. Imaginação, essa que não lhe falta, seu universo em papel é inquietante, seus personagens misturam estranhas sensações e perturbações exaltando elementos como a solidão no olhar, ingenuidade, erotismo e fantasia. A síntese de tudo isso se concentra na figura do coelho, como ponto dessa ingenuidade, inteligência e astúcia. Autodidata, o artista utiliza uma série de técnicas em nanquim, aquarela, grafite e caneta posca, para compor seu trabalho. O universo onde residem seus personagem são o refúgio do artista, que constrói pequenas narrativas íntimas, das quais transformam-se em poesia através de seu traço e sua percepção estética.

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Colagens contestadoras de Charles Wilkin

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A colagem é aquele estilo de arte que de cara já gera um fascínio, ela permeia entre o DIY underground de protesto, os diários das girls bathroom e a mixed media, mas é claro, com técnicas e conceitos legítimos. O fascínio vem justamente do poder de um artista poder realizar sua arte sobre algo já posto e existente com um toque identitário, uma intervenção, uma referência ou mesmo sua própria marca. A obra do artista Charles Wilkin, trabalha justamente isso, colagens que investigam a luta inata entre causa e efeito, derivada principalmente das manchetes dos jornais e tabloides – Wilkin transpõe essa desarticulação de sobrecarga de mídia e consumo alvejadas em analogias tangíveis, ou seja, utiliza-se do efeito imagético da mídia sobre nós para contestar o efeito midiático.

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Melancolia e hedonismo no curta ‘El Ultimo Toque’ de Gabriel N. Andreolli

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Lembra quando falamos do trabalho literário do jovem Gabriel N. Andreolli aqui? Pois é, agora o menino prodígio surge para nos apresentar seu trabalho cinematográfico, sim, além de poeta, ele investe na sétima arte. Estudante de Cinema na Universidad del Cine em Buenos Aires na Argentina, Gabriel produziu um curta-metragem intitulado El Ultimo Toque, nele, podemos concluir que seja lá qual for a plataforma por ele utilizada, terá sempre em seu trabalho a assinatura da essência poética. Simples, honesto, singelo e tocante, o curta mostra com delicadeza o sentimento da ausência, explorando os meandros obscuros da melancolia e do hedonismo, naquele que seria o último toque.

Olho nesse menino!

Bordado e aplicações em fotografia no trabalho de Amanda Charchian & Jose Romussi

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Se você é ligado em arte, deve ter notado a emergência do bordado e das técnicas manuais no meio artístico, a prática tem crescido consideravelmente mundo a fora e chama a atenção, principalmente, por deixar expor as imperfeições da técnica, o que de fato é genial. Quando aplicado em fotografias ou ilustrações o trabalho ganha uma nova conotação e passa por uma ressignificação. É o que faz o artista Jose Romussi, buscando inspiração em fotografias em preto & branco para criar uma nova forma através da sobreposição de bordado sobre a imagem. Em parceria com a fotógrafa estadunidense Amanda Charchian, os dois, buscam na composição de cor e texturas um equilíbrio sedutor.

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O empoderamento feminino na arte de Erica Rodrigues

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Um trabalho versátil, mas nem por isso sem personalidade, muito pelo contrário – aquarela, ilustração, grafite, trabalho manual e bordado, diferentes técnicas, variados suportes e um só resultado: encantamento. Esse é o trabalho de Erica Rodrigues de Fortaleza no Ceará; delicado, porém forte, seu traço traz em grande parte de sua arte, a mais bela expressão feminina e também questionamentos, ao traçar em seus desenhos, representações de múltiplos estilos de corpos, criando um empoderamento de diferentes mulheres. Suas personagens carregam em si a suavidade da inocência, mas também o desejo da indagação.

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Paisagens soturnas de Fábio Roque

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Portugal tem se destacado com uma efervescente e calorosa cena artística, dentro dela, existe uma nova e variada safra de artistas prontos para dominar o mundo. Fábio Miguel Roque é um desses destaques, fotógrafo baseado em Lisboa, produz um trabalho bastante singular, suas fotografias emergem como paisagens soturnas carregadas com um toque poético que facilmente poderiam ilustrar cenários de obras de escritores consagrados como Clive Barker e Jonathan Maberry. Em Awake e River, duas de suas séries expostas aqui, o fotógrafo consegue transpor seu espectador a um misto de fascínio e medo, em registros que vislumbram lugares insólitos com elementos urbanos e naturais mesclados a um clima noir elegante, sofisticado e nem por isso menos impactante.

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A poesia incisiva de Gabriel N. Andreolli

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Se você chegou a esse post deve estar questionando a abordagem da leitura aqui no BLCKDMNDS, mas não seria a poesia um tipo específico de arte? Uma alquimia de palavras, que juntas tem o poder de transformar e transforma-se, em despertar sensações e sentimentos – pois esse é o mesmo princípio que cabe a prática artística.

O autor aqui abordado é a síntese dessa premissa, um verdadeiro alquimista, é daqueles sujeitos hiperativos com talentos diversos: escritor, poeta, cineasta, roteirista e o que mais lhe der na telha, Gabriel N. Andreolli começou a escrever aos treze anos, foi estudante de Direito e conseguiu uma bolsa de pesquisa em Direitos Humanos na University of Notre Dame de Chicago, insatisfeito com a faculdade, deixou o Direito e mudou-se para Buenos Aires para estudar cinema, de lá produz uma arte fervescente, tal qual a cena portenha que lhe abriga. Nas palavras do autor:

Meu trabalho é ficção, baseado em fatos reais. Meus contos relatam um jovem melancólico e sonhador que tem que lidar todos os dias com a memória e a saudade, o encantamento com a arte, com a existência, com uma rotina de noites embriagadas e a busca incessante por inspiração.

Inspiração essa que não lhe falta, Gabriel também mantém o projeto Averso com seu amigo Gustavo Paes, criador do projeto que reúne poesia, devaneios e manifestações artísticas e através da instantaneidade do facebook, consegue atingir um número significativo de leitores. Reunindo textos de sua autoria e também de outros artistas como: Mariana Alonso, Felipe Tomazini e do próprio Gustavo.

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Sobre Universo Paralelo de Palavras e Tripas

Fácil é escrever sobre algo banal, difícil mesmo é escrever sobre algo ou alguém a quem se admira. Talvez por esse motivo relutei e prolonguei por quase um ano essa árdua tarefa, descrever “Universo paralelo de palavras e tripas”, do jovem autor Gabriel N. Andreolli. Quando recebi o livro em minha casa e devorei-o em uma única noite, correu por mim um misto de sensações, resultando num liquidificador emocional, daqueles que mexe e remexe suas memórias, fazendo emergir suas mais dolorosas e saborosas lembranças, um agridoce de sentimentos.

Sorri, chorei e me excitei a ler cada jogo de palavras que ardiam minhas entranhas. Ardor, aliás, é um dos reflexos da cultura latina mais marcantes na obra do autor, um delicioso hibridismo de drama e tesão. O livro cumpre o papel que sugere em seu título, um universo paralelo de palavras e tripas, que transcende o leitor fazendo-o remeter ao seus mais íntimos sonhos, medos e angústias, é impossível não se identificar com pelo menos uma de suas poesias.
Incisivo porque como numa terapia de acupuntura a cada palavra lida consegue uma reação de um sentimento despertado. Um Santiago Nazarian as avessas, se esse tem deslumbre sobre o obscuro e a morte, Gabriel, é justamente o oposto, tem fascínio pela vida e mais do que isso, pela vida vivida.

Gabriel N. Andreolli é um nome que não deve ser esquecido entre tantas promessas efêmeras dessa nova safra de poetas e escritores emergentes. Facilmente não será.

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Se interessou? O livro pode ser comprado por meio de sua página oficial na internet, por um preço honesto e simbólico.

Para saber mais do artista, acesse

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