A complexidade do fisiculturismo feminino na obra de André Arruda

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Horas na academia, mudança de hábitos alimentares, suplementos e treino pesado. Tudo isso somente para atingir níveis incríveis de desenvolvimento e força muscular. Essa é a vida de pessoas que investem na transformação do corpo e se dedicam ao fisiculturismo, o polêmico esporte que divide opiniões, principalmente quando o atleta é uma mulher. A opção de trabalhar os músculos até alcançar a hipertrofia somente pela imagem, transformando corpos e mentes pelo prazer da competição foi objeto de estudo do projeto fotográfico de André Arruda, intitulado Fortia Femina – Aceitação e Preconceito. O brasileiro, que se dedicou integralmente ao registro de mulheres e seus corpos hiper musculosos, diz que se surpreendeu com o preconceito sofrido pelas fisiculturistas e decidiu fotografá-las para lançar novos olhares para a beleza feminina e quebrar paradigmas.

O trabalho reúne mais de 80 fotografias incríveis de mulheres que competem nas três categorias básicas do esporte: Fitness, Figure e Bodybuiding. Surpreendente e impactante, a obra nos faz pensar: será que o que vemos é realmente aquilo que parece ser.

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PanoBranco – série fotográfica de João Quadros

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É muito bacana perceber que a produção artística e cultural no Brasil não é mais restrita ao eixo Rio – São Paulo, talvez o mercado ainda seja um pouco atrelado a isso, mas a produção em si floresce vertiginosamente nas outras regiões, é o caso do Centro-Oeste, que se mostra presente e exibe uma produção autêntica e concisa, provocando então, uma nova tradição no cenário de arte emergente no país.

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Um exemplo claro dessa nova faceta é o trabalho do jovem artista cuiabano João Quadros, que começou a fotografar em seus precoces dez anos de idade e ao longo dos anos desenvolveu técnica e um olhar apurado, tendo como influências grandes nomes da Fotografia brasileira. Seu trabalho é variado e permeia entre a fotografia conceitual a etnografia da cultura popular e a fotografia artística. Em sua mais recente série PanoBranco, o artista explora luz, movimento e corpo.

“O projeto retrata em preto & branco pessoas anônimas interagindo com um tecido branco. Desconsiderando formas, rostos e roupas, busca revelar apenas o âmago de cada ser a fim de provocar os mais profundos sentimentos naqueles que apreciarem o trabalho.”

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Rico – A promessa da música eletrônica brasileira

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Nem parece brasileiro – essa é uma reação unânime pra quem ouve Rico pela primeira vez, talvez seja a nossa síndrome de vira-lata falando mais alto ou apenas a falta de uma referência sólida na produção nacional de música eletrônica. A verdade é que não temos uma tradição na música eletrônica, apesar de já termos revelado grandes nomes como Renato Ratier, Marky, Andy e mais recentemente Boss in Drama e Zegon.

O jovem produtor mineiro, Rico, chega pra virar esse jogo e desponta como uma promessa da nova safra de artistas dispostos a arriscar no campo da House. Envolvido com a música desde muito cedo, começou a produzir aos dezessete anos e tem na bagagem referências que vão de Julio Bashmore, Machinedrum à George Fitzgerald, muita coisa brasileira e principalmente a famosa house dos anos 90′. Sua música é elegante, envolvente, rica em referências, sofisticada e muito bem elaborada. Então dá o play e vem ouvir essa delícia com a gente!

A busca da identidade nas fotografias de Marilia Correia

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Identidade, eis um dos grandes dilemas da contemporaneidade, a busca por ela resulta em dois caminhos opostos, porém convergentes, responsável por gerar aquela sensação de unidade, mas também o senso de pertencimento a um grupo maior – a identidade é um dos sentimentos mais conflitantes e ambíguos num ser humano. A jovem fotógrafa de Pernambuco Marilia Correia, usa desse conceito para dar o tom a seu trabalho, algo que trás muito provavelmente de sua graduação em História e Fotografia.

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Na série em questão, Marilia busca retratar o ser humano com serenidade, motivada como a própria diz “numa pausa silenciosa, onde se possa ouvir e sentir nossos corpos, cheiros, afetos e desejos”. Uma busca não somente da identidade, mas também da dimensão sensorial, que remetem a sonhos e toques que muitas vezes somos privados. Seu trabalho dotado de grande sensibilidade demonstra a busca pela essência e faz um convite para buscarmos conhecer e ser quem somos.

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O fantástico aquarelado de Victor Octaviano

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Victor Octaviano

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Natural de São Paulo, Victor Octaviano é ilustrador e tatuador autodidata, autor de uma gama de arte incrível e marcante, resultadas de sua maior característica – manchas e pinceladas de tintas. Suas obras são únicas, com formas e traços livres e de muita cor, o que abre espaço para inserir novas ideias durante o processo criativo. Atualmente o artista utiliza a técnica do aquarelado em suas tatuagens, além de ministrar workshop’s de aquarela para tattoo.
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As fotografias intrigantes de Victor Hugo Cecatto

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Victor Hugo Cecatto é fotógrafo e ilustrador. Gaúcho, com graduação em Comunicação Visual pela UFSM – RS, vive no Rio de Janeiro há 15 anos. Dono de uma arte curiosa que mescla fotografias, edições ousadas e design gráfico, resultando em um trabalho único e excepcionalmente excêntrico. Cecatto, começou como fotógrafo e só depois passou a trabalhar como designer; já clicou e ilustrou capas de CDs de músicos renomados, dentre os quais: Os Tribalistas, Grabriel O Pesandor, Cabeza de Panda, entre outros; assim como livros e campanhas.

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As investidas fotográficas de Nestor Jr.

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Nós já falamos dele aqui. Talvez ele seja um dos principais nomes e um dos mais promissores da nova safra de artistas brasileiros, conhecido principalmente pelo seu traço peculiar e bem marcado em ilustrações e pinturas, Nestor Jr. agora destaca-se também em sua investida pela fotografia. No projeto que chama de Pequenos Delírios Fotográficos, explora o realismo da fotografia sem deixar de lado seu característico senso lúdico, apenas transferindo seus já consagrados retratos de figuras humanas híbridas para o registro dos anseios e as sensações despertadas por pessoas comuns.

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Ao se aventurar por essa nova mídia, seu trabalho ganha um novo sentido, evidenciado principalmente pelo clima noir e soturno no uso predominante do preto e branco, composição essa, que interage muito bem com a narrativa que contempla o lirismo, ambos ambientados numa relação harmônica com elementos naturais, sobrepondo o usual erotismo de seu trabalho pela latente sensibilidade de emoções e pela fragilidade da sexualidade humana.

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Francisco Hurtz e a crítica ao modelo de masculinidade na série Locker/Room

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Existe uma parcela de artistas que vem somando esforços ao longo dos últimos trinta anos em busca de uma nova discussão sobre a construção social e cultural dos papéis de gênero, suas relações e seus sintomas. É nisso que reside principalmente o poder da arte: o de discutir, questionar e indagar. O paulistano Francisco Hurtz faz parte dessa turma, embasado pela teoria de Foucault, Judith Butler e Pierre Bourdieu – traduz densos conceitos e os materializa em uma arte clara e concisa sem esvaziar a teoria. Com um trabalho que aborda desde o colecionismo de imagens, passando pela questão erótica até chegar na pesquisa das relações entre os corpos no espaço.

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O artista plástico apresenta a exposição “Locker/Room” até o dia 28 de fevereiro de 2014 no Epicentro Cultural, no Sumarezinho, em São Paulo. Na mostra, que teve início em dezembro/2013, o artista discute os códigos sociais que legitimam a masculinidade e sua restrita linha de conduta, que é ‘aprovada’ pelo olhar da sociedade. O título eleito evidencia esta crítica. Locker/Room, subversão da palavra inglesa para vestiário e as palavras Locker (armário trancado à chave ou sujeito/coisa que tranca) e Room (um ambiente como espaço físico ou território). Na mostra, é apresentado uma série de desenhos, pinturas e uma gravação em placa de trânsito onde o artista explora um mundo masculino através de grupos de rapazes em vestiários, banhos, brincadeiras e até um momento íntimo de um indivíduo fardado.

“A figura do homem é uma construção social. O modelo de masculinidade é passado há gerações por em pequenos rituais cotidianos que, na maioria das vezes, passam despercebidos”, diz o artista.

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