Chicos: um diálogo entre o nu e a desconstrução da identidade do homem gay

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Chicos é um desses projetos que conseguem retratar de forma poética e profunda um ideal de beleza que entrelaça a formação da identidade e o homem gay. Criado por Fábio Lamounier e Rodrigo Ladeira, o projeto engloba a publicação de ensaios fotográficos, vídeos, ilustrações e depoimentos em um tumblr, e a partir deles é feito um diálogo que explora a desconstrução e reconstrução da sexualidade e a autoaceitação da homossexualidade dentro de um paradigma, tempo e espaço.

Chicos é um projeto sobre o olhar do homem gay sobre o outro: através de depoimentos, texto, vídeo, foto – e o que mais der na telha -, queremos criar um espaço onde estes homens de diferentes origens, realidades, corpos e experiências possam coexistir como personagens de uma teia que se estende muito mais do que num projeto simples, e ainda sim ambicioso.

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Cumplicidade e intimidade nas fotografias de Cain Q

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É fato que de alguns anos para cá, houve a emergência do homoerotismo e da homoafetividade como uma categoria artística mais frequente, você acompanhou parte desse processo aqui no BLCKDMNDS, aliás, a internet foi uma das principais ferramentas na propagação da temática. O espanhol, Cain Q é um desses artistas que usa e abusa do tema, se destacando principalmente pelo uso da estética como conceito de cotidiano, o que dá ao seu trabalho um aspecto de naturalidade e casualidade, expostos na forma de um diário fotográfico para maiores de 18 anos, exalando um hedonismo latente, que poderia muito bem servir como inspiração para produções para a TV, como Looking, ou para o cinema, como o inglês Weekend e o argentino Plan B, ambos pautados nesse conceito de cotidiano como narrativa, trazendo a tona um retrato real e honesto da condição homossexual burguesa.

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Um dia de herói: Revisitando Batman & Robin

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Recentemente você viu aqui no blog um pouco do trabalho da fotógrafa espanhola Aitana Menéndez Ordóñez e seu retrato sobre a China contemporânea, agora ela retorna com uma nova série intitulada “Podemos ser héroes.. un día, nada más“, um trabalho expressivo onde explora o universo da dupla de super-heróis Batman e Robin, por acreditar que essa seja a dupla mais emblemática da cultura pop em se tratando de teorias da conspiração e de uma personalidade e sexualidade dúbia. Ordóñez revisita o clássico e mostra através de sua percepção, o que seria um dia na vida desses dois heróis, com muito bom humor, irreverência e cheio de estilo ela evidencia acima de tudo a cumplicidade desses dois personagens.

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Retratos pop por Scott Scheidly

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Começa essa semana na Spoke Art em São Francisco, Califórnia, a exposição da exibição “The Pinks” do Artista Scott Scheidly, nascido em Ohio e formado pelo Art Institute of Pittsburgh.

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A série explora com molduras cor-de-rosa elaboradas as implicações culturais e sociais da cor e como as noções predefinidas que acompanham essas percepções podem alterar a identidade de alguém e a subsequente visão do mundo.

Scheidly retrata figuras hipermasculinizadas ou figuras históricas abomináveis, fazendo piada dos personagens através de sátiras sociais e sexuais. Além disso, o artista retrata indivíduos notórios politicamente e religiosamente, e as inseguranças que o poder deve trazer e como elas se manifestam.

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A descoberta da sexualidade no filme Heile Gansje de Matt Lambert

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A temática não é propriamente nova, Truffaut deu a primeira pincelada, mesmo que muito sutilmente lá em Jules e Jim, desde então o cinema mundial vêm se aproximando do tema de forma mais descarada – Threesome, Os Sonhadores, Drama, Drei e tantos outros – tentam de alguma forma acrescentar algo novo ao gênero. Matt Lambert, fotógrafo e cineasta resolveu se arriscar em seu primeiro filme, em parceria com a Dazed & Confused e Channel 4 apresentou o teaser de Heile Gansje, inspirado numa canção alemã, o filme apresenta um retrato da juventude, suas experimentações e a descoberta da sexualidade, numa narrativa abstrata e fragmentada mostra de forma sensorial uma relação visceral do personagens com o sexo, numa trilha sonora que ainda inclui Patrick Wolf, Le1f and Black Cracker.

Posters de esteriótipos gays por Paul Tuller

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Com ilustrações de Paul Tuller e direção de arte de James Kuczynski, o projeto ‘A Poster Guide to Gay Stereotypes’ que fez parte da campanha “Think B4 You Speak” busca retratar as categorias do universo queer, para assim, aumentar a consciência do uso de palavras e frases pejorativas como “isso é tão gay” a fim de educa-los para a diversidade escolar. Os pôsteres podem ser comprados aqui e parte da renda é revertida para o projeto do grupo GLSEN (Gay Lesbian Straight Education Network).

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Herbert Loureiro e o universo do fetiche na série Super Kinky

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Herbert Loureiro é um famoso conhecido do blog, já falamos dele inúmeras vezes por aqui (1, 2, 3). Em seu mais recente trabalho que recebe o nome de Super Kinky, Herbert brinca com o universo do fetiche e suas variáveis, como a libertinagem masculina, questionando-as como um tabu social em torno da prática fetichista, que se destaca pelo interesse sexual em partes específicas do corpo, funções fisiológicas ou até mesmo o gosto por cenários e ações inusitadas. Explorando a técnica da pintura digital, ele consegue dar um tom de indagação, pelo próprio fato do fetiche estar fortemente ligado ao tabu, evidenciando o desejo primitivo e reprimido das pessoas, algo inerente à existência humana, ao mesmo tempo em que consegue transpor uma atmosfera leve e bem humorada, uma das características marcantes em seu trabalho. Super Kinky surpreende ao abarcar um tema caro com tamanha originalidade e naturalidade, deixando a cargo do espectador remeter nuances e estranhezas a seus desejos sexuais.

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O eu existencial e fragmentado na fotografia de Michal Macku

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Michal Macku é um fotógrafo tcheco que procura por novas formas e técnicas fotográficas para expressar sua ânsia existencial e retratar a condição humana.  No final dos anos 80 inventou a técnica Gellage, uma  combinação de colódio e gelatina que  torna possível reformular as imagens originais, mudando sua relação de significado e proporcionando ao artista uma maior possibilidade de experimentação artística.

Nas minhas fotos eu uso o corpo humano nu, principalmente o meu. Utilizando a técnica fotográfica Gellage, este corpo humano concreto é compelido a se encontrar com ambientes abstratos e distorcidos. Esta conexão é a mais emocionante para mim e me ajuda a encontrar novos níveis de humanidade no trabalho resultante. Seu charme é semelhante ao do desenho animado, mas não é um truque. É muito importante para mim estar ciente da história de uma imagem e ter uma sensação de contato direto com sua realidade. Meu trabalho coloca fotos do corpo humano em novas situações, novos contextos, novas realidades, fazendo com que a sua realidade autêntica se torne relativa.

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