Rurru mi panochia e sua arte nada (con) SENSUAL

1

Longe de se definir pelo que a sociedade impõe, o gênero deveria ser em cada caso uma construção individual. Com esta premissa Rurru mi Panochia, alter ego da artista mexicana Almendra Sheira, promove uma visão livre e brincalhona do corpo humano e o que ela entende por sexualidade. A começar por seu alter ego Rurru Mi Panochia, já se vê o quanto a liberdade com o sexo faz parte da vida e, principalmente, do trabalho desta artista. Panochia, em alguns lugares da America Latina, é um sinônimo de vagina. Traduzindo-se assim em Rurru Minha Vagina. Segunda a artista a escolha do nome se deu pelo fato dele ser engraçado e sempre causar risos nas pessoas quando o pronunciam.

7

A temática da sua arte gira em torno de fetiches, dissidências de gêneros, deuses pré hispânicos, amputações, tudo isso mesclado em desenhos despretensiosos e cores pasteis remetendo a um universo infantil, sem preconceitos e principalmente sem a culpa que muitas vezes o amadurecimento traz junto com a descoberta do sexo. O intuito da artista é mostrar que a concepção do belo não deve ser unilateral. E que seus desejos não precisam e nem devem se enquadrar em padrões impostos.
Sobre o uso de deuses pré hispânicos em sua obra, Rurru diz que sempre se interessou sobre arte erótica e pornô na cultura Greco-romana até que na universidade iniciou uma investigação sobre a cultura sexual que existia nos povos que habitavam seu país e desde então esses elementos se tornaram frequentes em seu trabalho.

[+18]
Continue Reading

O provocativo mundo rosa de Prue Stent

press01

press1

press2

Fotógrafa australiana, Prue Stent tem se destacado com sua arte fotográfica transgressora e emergente, preocupada com temas em torno das relações entre feminilidade e natureza, procura relacionar essa sincronia entre corpo e o meio ambiente. Sua série Pink explora a beleza feminina usando elementos de cor para levantar questões sobre o padrão de beleza da sociedade; seios, nádegas e lábios são expostos com tinta rosa para ilustrar esses padrões definidos de feminilidade. Suas imagens são vivas e cheio de movimento e questionam a forma como vemos a figura feminina, relacionando-a à fantasias, fábulas e delicadeza.

press3
Continue Reading

Francisco Hurtz e a crítica ao modelo de masculinidade na série Locker/Room

DSC05801low

Existe uma parcela de artistas que vem somando esforços ao longo dos últimos trinta anos em busca de uma nova discussão sobre a construção social e cultural dos papéis de gênero, suas relações e seus sintomas. É nisso que reside principalmente o poder da arte: o de discutir, questionar e indagar. O paulistano Francisco Hurtz faz parte dessa turma, embasado pela teoria de Foucault, Judith Butler e Pierre Bourdieu – traduz densos conceitos e os materializa em uma arte clara e concisa sem esvaziar a teoria. Com um trabalho que aborda desde o colecionismo de imagens, passando pela questão erótica até chegar na pesquisa das relações entre os corpos no espaço.

DSC06275low

O artista plástico apresenta a exposição “Locker/Room” até o dia 28 de fevereiro de 2014 no Epicentro Cultural, no Sumarezinho, em São Paulo. Na mostra, que teve início em dezembro/2013, o artista discute os códigos sociais que legitimam a masculinidade e sua restrita linha de conduta, que é ‘aprovada’ pelo olhar da sociedade. O título eleito evidencia esta crítica. Locker/Room, subversão da palavra inglesa para vestiário e as palavras Locker (armário trancado à chave ou sujeito/coisa que tranca) e Room (um ambiente como espaço físico ou território). Na mostra, é apresentado uma série de desenhos, pinturas e uma gravação em placa de trânsito onde o artista explora um mundo masculino através de grupos de rapazes em vestiários, banhos, brincadeiras e até um momento íntimo de um indivíduo fardado.

“A figura do homem é uma construção social. O modelo de masculinidade é passado há gerações por em pequenos rituais cotidianos que, na maioria das vezes, passam despercebidos”, diz o artista.

Continue Reading

As identidades indeterminadas e dissolvidas de Dorothee Smith

dor1

Sub Limis

Dorothee Smith é um jovem fotógrafo conceitual francês que estudou na Ecole Nationale Superieure de la Photographie, em Arles. Seu trabalho é uma sequência de retratos e paisagens, com referência no Löyly, o famoso banho de vapor finlandês, popularmente conhecido como sauna, a palavra descreve a ressurreição de fumaça saudável resultante da transformação da matéria: a água em vapor. Outra referência bastante presente em seu trabalho é a obra da teórica Judith Butler e seu livro ‘Problemas de Gênero’ – materializados em uma série de imagens melancólicas, onde Smith fotografa pessoas que ele conhece ou tem alguma ligação, mostrando uma geração de homens e mulheres jovens que tentam ter ou encontrar uma identidade que ultrapassa o padrão e a norma. O resultado impressiona ao retrata identidades indeterminadas, dissolvidas e negociadas.

dor3

dor4
Continue Reading

A arte afetiva de Rodrigo Mogiz

mogi1

mogi2

mogi3

Expressivo, delicado e instigante, esses são alguns dos adjetivos que podem ser empregados na arte do mineiro Rodrigo Mogiz– que desponta como um dos grandes nomes na nova arte brasileira. Artista plástico já consolidado, teve seu trabalho exposto em galerias das principais cidades do país e em outros países, como Argentina e Portugal. Trabalha com pintura, desenho e bordado, esse último é o elemento que traz leveza, sentimento e afetividade em sua obra, interessado pela figura masculina em páginas de revistas, Mogiz começou a utilizar a técnica de bordados para desconstruir ou reconstruir (como o próprio argumenta) essa imagem de perfeição através de um bordado sem técnica, dando então um novo significado a fim de explorar questões afetivas e sexuais em uma narrativa que se assemelha a narrativas literárias. Uma arte contemplativa, daquelas de encher os olhos e passar horas observando os detalhes, os sinais e a composição. Sem dúvidas um nome a se prestar atenção.

mogiz010
Continue Reading