Rurru mi panochia e sua arte nada (con) SENSUAL

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Longe de se definir pelo que a sociedade impõe, o gênero deveria ser em cada caso uma construção individual. Com esta premissa Rurru mi Panochia, alter ego da artista mexicana Almendra Sheira, promove uma visão livre e brincalhona do corpo humano e o que ela entende por sexualidade. A começar por seu alter ego Rurru Mi Panochia, já se vê o quanto a liberdade com o sexo faz parte da vida e, principalmente, do trabalho desta artista. Panochia, em alguns lugares da America Latina, é um sinônimo de vagina. Traduzindo-se assim em Rurru Minha Vagina. Segunda a artista a escolha do nome se deu pelo fato dele ser engraçado e sempre causar risos nas pessoas quando o pronunciam.

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A temática da sua arte gira em torno de fetiches, dissidências de gêneros, deuses pré hispânicos, amputações, tudo isso mesclado em desenhos despretensiosos e cores pasteis remetendo a um universo infantil, sem preconceitos e principalmente sem a culpa que muitas vezes o amadurecimento traz junto com a descoberta do sexo. O intuito da artista é mostrar que a concepção do belo não deve ser unilateral. E que seus desejos não precisam e nem devem se enquadrar em padrões impostos.
Sobre o uso de deuses pré hispânicos em sua obra, Rurru diz que sempre se interessou sobre arte erótica e pornô na cultura Greco-romana até que na universidade iniciou uma investigação sobre a cultura sexual que existia nos povos que habitavam seu país e desde então esses elementos se tornaram frequentes em seu trabalho.

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O punk tropical das chicas do Kumbia Queers

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A emergência de um discurso político e de empoderamento na cena cultural não é algo realmente recente, o próprio queer aparece nos mais diversos segmentos musicais como uma alternativa ao questionamento e a visibilidade, nomes como Le1f, SSION, Hunx and His Punx, THEESatisfaction, vem se destacando no gênero e abrindo caminho para outros projetos, um deles é o Kumbia Queers, um grupo musical composto por seis chicas entre argentinas e uma mexicana. O projeto se iniciou em Buenos Aires em 2007, onde a princípio suas participantes tocavam covers de Madonna, Ramones e Black Sabbath, parodiando-os para o ritmo de cumbia, com letras cheias de queerzismos e muito humor. Elas possuem quatro discos lançados, desde então, Kumbia Nena de 2007, La Gran Estafa del Tropipunk (2010), Pecados Tropicales (2012) e o recém lançado Canta y no Llores.

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A mescla entre o ritmo de cumbia e o punk juntamente com muito groovy não poderia estar mais afinada, e faz qualquer um dançar desde o primeiro instante de audição. ¡Que lo disfruten!

¡que lo disfruten!

Cumplicidade e intimidade nas fotografias de Cain Q

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É fato que de alguns anos para cá, houve a emergência do homoerotismo e da homoafetividade como uma categoria artística mais frequente, você acompanhou parte desse processo aqui no BLCKDMNDS, aliás, a internet foi uma das principais ferramentas na propagação da temática. O espanhol, Cain Q é um desses artistas que usa e abusa do tema, se destacando principalmente pelo uso da estética como conceito de cotidiano, o que dá ao seu trabalho um aspecto de naturalidade e casualidade, expostos na forma de um diário fotográfico para maiores de 18 anos, exalando um hedonismo latente, que poderia muito bem servir como inspiração para produções para a TV, como Looking, ou para o cinema, como o inglês Weekend e o argentino Plan B, ambos pautados nesse conceito de cotidiano como narrativa, trazendo a tona um retrato real e honesto da condição homossexual burguesa.

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Tom: from Finland to the World

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Touko nasceu em 1920 no sudoeste da Finlândia. Dentro de casa, criado por pais professores, se apaixonou cedo por literatura, música e artes. Do lado de fora, o garoto era cercado por uma realidade pacata e pouco intelectual tomada por fazendas. Mesmo não se encaixando muito no clima bucólico, logo voltou sua atenção para algo não tão monótono: observar o musculoso vizinho fazendeiro, que se tornaria apenas o primeiro de muitos homens a chamar a sua atenção. Começava aí o primeiro capítulo na história de um tímido artista que mudaria o rumo da cultura gay.

Com 20 anos, Touko, que então estudava publicidade em Helsinki, foi convocado para o exército. A Finlândia entrava na Segunda Guerra Mundial e Touko na sua fase sexual mais ativa: no dia-a-dia militar, ele pôde finalmente realizar suas fantasias. Ao fim da guerra, o garoto voltou para o trabalho criativo. De dia, fazia trabalhos diversos no meio publicitário. À noite, dedicava-se a desenhar os homens que desde cedo permeavam suas fantasias. Só em 1956, depois de um amigo insistir muito, Touko teve a coragem de enviar seu trabalho para uma revista americana sob o pseudônimo de Tom. Nascia então Tom of Finland.

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Posters de esteriótipos gays por Paul Tuller

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Com ilustrações de Paul Tuller e direção de arte de James Kuczynski, o projeto ‘A Poster Guide to Gay Stereotypes’ que fez parte da campanha “Think B4 You Speak” busca retratar as categorias do universo queer, para assim, aumentar a consciência do uso de palavras e frases pejorativas como “isso é tão gay” a fim de educa-los para a diversidade escolar. Os pôsteres podem ser comprados aqui e parte da renda é revertida para o projeto do grupo GLSEN (Gay Lesbian Straight Education Network).

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Herbert Loureiro e o universo do fetiche na série Super Kinky

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Herbert Loureiro é um famoso conhecido do blog, já falamos dele inúmeras vezes por aqui (1, 2, 3). Em seu mais recente trabalho que recebe o nome de Super Kinky, Herbert brinca com o universo do fetiche e suas variáveis, como a libertinagem masculina, questionando-as como um tabu social em torno da prática fetichista, que se destaca pelo interesse sexual em partes específicas do corpo, funções fisiológicas ou até mesmo o gosto por cenários e ações inusitadas. Explorando a técnica da pintura digital, ele consegue dar um tom de indagação, pelo próprio fato do fetiche estar fortemente ligado ao tabu, evidenciando o desejo primitivo e reprimido das pessoas, algo inerente à existência humana, ao mesmo tempo em que consegue transpor uma atmosfera leve e bem humorada, uma das características marcantes em seu trabalho. Super Kinky surpreende ao abarcar um tema caro com tamanha originalidade e naturalidade, deixando a cargo do espectador remeter nuances e estranhezas a seus desejos sexuais.

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Performatividade dos gêneros – Identidade feminina por Laurence Philomene

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Provocativo e questionador, o ensaio da fotógrafa Laurence Philomene aborda um assunto caro para os estudos sociológicos da teoria queer, a performatividade do gênero, que pode ser sintetizado numa espécie de:

processos culturais que usam a produção da sexualidade para ampliar e sustentar relações de poder específicas. Ou seja, seria na repetição de atos corporais que o gênero é criado como “temporalidade social”

Pois, o comportamento não é determinado pela identidade de gênero, mas sim adquirido por meio de padrões comportamentais, que sustentam as normas de gênero, onde o corpo pode ser detentor de uma própria genealogia. Confuso, não é mesmo? Em palavras mais claras, a artista buscou retratar uma representação do chamado “menino afeminado”, ou de como ela entende a identidade feminina, brincando com o sentido dúbio dos gêneros.

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De forma introspectiva, Laurence constrói de certa forma, uma narrativa que se assemelha com auto-retratos, uma espécie de projetar-se, ou melhor, o que ela vê como sendo feminino sobre si mesma para essas pessoas. A ideia inicial da artista pode não ter sido a de questionar teoricamente as ‘negociações’ das identidades, mas certamente ela coopera para uma discussão. Além de uma bela série artística, ela propicia uma abordagem diferente acerca do tema.

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Face, walk, hands: Paris is Burning e a cena ballroom

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O mundo inteiro é um palco
E todos os homens e mulheres não passam de meros atores
Eles entram e saem de cena
E cada um no seu tempo representa diversos papéis

De representação à contratos, são várias as teorias que tentam explicar ou lançar uma luz sobre o porque o homem vive em sociedade. Sem acesso à dados mais antigos, cientistas sociais usam pequenas comunidades, tribos ou organizações e suas idiossincrasias para entender melhor os motivos que levam tais pessoas a se juntarem por um objetivo comum. Limites econômicos, geográficos, políticos e culturais são alguns desses fatores, e a partir do choque entre idéias, as concepções de cultura e contra-cultura são postas em jogo. Um filme dos anos 90, pouco conhecido mas bastante cultuado, registra o momento de ouro de uma forte expressão cultural que se tem como perdida, mas que na verdade encontra-se em pleno processo de revigoramento: Paris Is Burning e a cultura do ballroom.

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