MXTP BLCK PRTY – PT. II

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O final de semana chegou e com ele uma mixtape caprichada, depois do sucesso da nossa compilação em BLCK PRTY, resolvemos dar uma continuidade e ir um pouco mais a fundo nessa temática musical, BLCK PRTY PT. II é uma mixtape que explora um lado mais voltado para sonoridades emergentes como o Trap, Bass e até uma pitada do revival do vogue (pra quem acha que vogue é só a música da Madonna – ler aqui). Aperta o play, arrasta o sofá da sala e vem pra festa com a gente!

MXTP BLCK PRTY PT. II by Linusxx on Mixcloud

Karol Conka: do samba ao luxo em Batuk Freak

Caxambu: tambor ou mata verde, etimologia de naturalidade muito discutida no Brasil, se de origem africana ou indígena. Mas em 2013, 8 de Abril, o Caxambu mais significante dos últimos tempos surge em uma pérola musical estabelecendo um fato: Karol Conka tem um mundo nas mãos, mas isso ainda lhe é pouco.

BATUK FREAK _capa!

Ouvir o album Batuk Freak é ao mesmo tempo uma viagem pela música pop e independente dos últimos 10 anos, assim como outros 200 da música afro-brasileira. Com 3 faixas já consagradas e que lhe trouxe enorme visualização e projetos bem-sucedidos, a Karol traz mais nove faixas inéditas, todas produzidas pelo fiel parceiro Nave. O Nave, figura de peso do rap nacional, já produziu beats pro Marcelo D2, Kamau e Emicida. Se o tropicalismo tomou pra si tão belamente o termo “antropofágico” para definir sua música e cultura, e a apropriação da guitarra definiu pra sempre o rumo da música pop no Brasil, o Nave e a Karol adicionam um 2.0 ao termo e trazem de vez o amarelo, verde e o negro para o gênero.

Seguindo a linha da dance music com elementos étnicos, como a M.I.A. e o Major Lazer, e pra falar em nome nacional, a Lurdez da Luz, o disco tem uma forte base no hip-hop, trap e eletrônico, mas que a todo tempo deixa sobressair uma forte percussão que vem de gêneros ignorados, ou não tão explorados pela mídia comum. Samba, jongo, capoeira, funk, coco de roda, música indígena: de samples a elementos orgânicos, tudo embalado pela firme, vigorosa e sensual voz da rapper curitibana, cantando a vida sem precisar de permissão da sociedade. A sonoridade vem seguindo o caminho do redescobrimento da música popular brasileira, com a releitura permitida pela abrangência da produção musical digital que vem impulsionando a criatividade de nomes como o conterrâneo Laudz e Zegon, cabeças do projeto Tropkillaz, Leo Justi, e os grupos ligados ao selo Avalanche Tropical.

A gata afirma que suas letras são animadas, sobre a noite, a vida e sentimentos de descobrimento, sem militância. Música para se sentir bem, mas sem cair na armadilha do clichê da auto-ajuda (aprende com ela, Gaga!). Mas é difícil sair impune das letras sem associar ao emergente sentimento de liberdade e interatividade social do país, presente nas músicas ostentação-free “Gueto ao Luxo”, que traz toques de dubstep e 8-bit, e a deliciosa “Sandália”, reggae com participação do Rincon Sapiência, que traz um refrão embalado pelo som da capoeira. Suas influências também são citadas em vários momentos, de Sabotage em “Boa Noite”, a Erykah Badu em “Mundo-loco”, num verso que não tem como não te deixar um sorriso no rosto. O soul e o RnB embala as faixas “Você Não Vai” e “Que Delícia”, mas a que com certeza define todo o seu mundo é a “Caxambu”, releitura de clássico samba de Almir Guineto, embalada em muito funk e break.

Ao termino do álbum, a sensação que fica é de que a música brasileira passa por uma fase de auto-conhecimento e redescobrimento. Diz-se que o ultimo momento musical do país foi o Manguebeat, mas entre erros e acertos durante esse tempo, artistas auto-indulgentes tem posto seus trabalhos a prova e revigorando um cenário escasso de originalidade, pondo a prova idéias como essa, que nos fazem questionar a necessidade de mais um projeto que já nasce sem força e sem representatividade nacional. Como canta a Karol, nosso nome é gandaia, e dentro de nossa própria cultura tão rica e hipnótica, diversão e criatividade andam juntas e estão a favor de todos!

Seu album completo esta sendo disponibilizado aqui no site da Vice pelo preço de um tweet ou post no Facebook, corre, corre!

MIXTAPE BLCK BITCH


Sexta-feira chegou e todo mundo sabe que o dia mais aguardado da semana é o dia oficial de suar a virilha. E por isso hoje tem mais um mixtape pra animar o esquenta do fim de semana. Dessa vez, sem convidados, a setlist volta pras mãos da staff do blog e hoje ela vem regada à muita black music, muito rap/hip hop do bom, nomes como Azealia Banks, LE1F, Mykki Blanco, M.I.A. e mais um monte de gente incrível. Um fato é: o rap / hip hop é o novo indie rock! Todo mundo pronto? Então dá o play que o fim de semana tá só começando.

Misha B lança primeiro single pós X-Factor

Alcançando o quarto lugar do reality show musical X-Factor, Misha B inovava a cada semana e trazia uma roupagem totalmente nova para suas apresentações, somando isso a sua grande potência vocal não podemos esperar nada menos que bombástico para seu debut. Depois da espera de quase um ano, uma das favoritas do X-factor UK 2011 acaba de lançar seu primeiro single Home run, produzido pela gravadora Sony Music. O álbum de inéditas ainda sem titulo, será lançado esse ano e enquanto não aparece material novo, confira também abaixo a Mixtape Why Hello World e tenha uma prova do que podemos esperar do seu álbum.

MIXTAPE BLCK PRTY

Depois de inúmeros convidados em special guest na nossa sessão de MIXTAPE, chegou a vez de voltarmos com uma produção própria. Apresentamos a vocês nossa mixtape BLCK PRTY, com muito batidão, batuque e tambor, totalmente influenciada pelo swag, estilo que vem dominando as ruas com identidade que vem lá do Hip Hop e da subcultura urbana da black music, por sinal, essa mixtape está recheada com essas sonoridades, aperte o play e entre pro gueto!

Poesia etérea no rap de THEESatisfaction e Shabazz Palaces

O cenário é Seattle, na gravadora Sub Pop, mas anos depois de Cobain e seu grunge, outros dois grupos mostram o fértil terreno em que o local ainda dispõe para novos artistas que querem mostrar um jeito assim, único, para fazer música: Shabazz Palaces e THEESatisfaction.

Usando a palavra “única” para não dizer quase-alienígena, o rap descompassado, o hip-hop futurista, como um “Bitches Brew” fantasmagórico, é pouco para definir a criatividade dessas duas bandas que recentemente lançaram seus debuts, o Shabazz no ano passado (no meu Top5 de 2011 e da vida), e o THEESatisfaction agora no finzinho de março.

O primeiro grupo, mais misterioso e intrigante, é composto por dois integrantes, mas durante suas produções e apresentações, tanta gente mais participa de tanta coisa, que o líder do grupo, Palaceer Lazaro (um ego de Kanye West com a raiva do Malcolm X) afirma em várias entrevistas que ninguém possui crédito de nada e é impossível contar o número de participações, já que todos estão ali no momento pela criação da música perfeita e nada mais.

Já as simpáticas, mas nem por isso inofensivas do THEESatisfaction têm mais ânsia de liberdade e introsamento, já que sairam em tour logo que acabaram o colégio quando ainda nem possuiam um álbum completo, apenas algumas mixtapes e uns poucos singles que contam com o Shabazz na produção também (cada um participa de duas faixas do disco do outro), trazendo assim uma mistura que deve ser bem interessante nos palcos quandos os dois grupos se juntam. Pra terem noção da explosão criativa que são os dois nos palcos, um show foi feito inteiramente no formato de um talk-show, onde um integrante fazia uma pergunta para outro e de repente você já estava dentro da música, com a resposta (também musicada) vindo logo em seguida.
Com letras destilando inteligência e crítica (things are looking blacker, but black is looking whiter / whatever you do, don’t funk with my groove), o som do Shabazz é um pouco mais quebrado e mais ousado que o THEESatisfaction, enquanto que esse se segura mais nas raizes do acid jazz e do soul, mas sem se deixar rotular por apenas um gênero devido a abrangência de referências. Mas como o Palaceer diz que é impossível descrever o som dos dois, dá um play na obra de arte que são os vídeos dos dois e viaje no som mais gostoso que você vai ter ouvido nos últimos tempos.

Documentário: The Art of Rap

A black music é realmente o centro da vez, desde seus desdobramentos do soul, da black disco, r&b e até chegar no Hip Hop e no Rap, que agora acabam de ganhar um documentário, intitulado The Art of Rap,  buscando retratar a história e as raízes do Hip Hop e sua aproximação com a arte através de relatos e entrevistas de grandes nomes do gênero como Eminem, Kanye West, Nas, Dr. Dre e Ice Cube. Dirigido por Ice-T, considerado o padrinho do rap gangsta,  nos leva em uma viagem intimista ao coração e a alma de hip-hop com as lendas do rap. O documentário ainda mostra a proporção que a cultura do gênero musical tomou, indo além da música, que nasceu nas ruas e se tornando um lifestyle, de arte, moda e uma indústria bilionária. O filme participou da seleção do conceituado festival de Sundance, e tem previsão de estréia para junho de 2012 nos cinemas norte-americanos.