Um homem obcecado pelo tempo. Seria o início comum de uma história senão pelo modo como o animador Michael Please decidiu construir sua dissertação de fim de curso: um mundo de tirar o fôlego do branco mais branco que você já viu, onde o material de que é feito esse stop-motion é tão indescritível quanto a fascinação que suas luzes criam, única fonte de preto e sombra pelos seus 8 minutos de duração. A ousadia de mostrar o personagem da infância à morte (e talvez além?) é recompensadora, o roteiro e os movimentos de câmera são tão criativos, que seguir o cientista pela busca do controle do tempo na idade avançada vira uma recompensa mais visual do que filosófica.
O filme foi o vencedor do BAFTA do ano passado por melhor curta de animação e continua angariando prêmios mundo afora, e vendo como ele se distanciou da característica tão comum do stop-motion de possuir bonecos desajeitados, de barro, pano ou qualquer outro material perceptivel, não fica difícil imaginar o porquê de tanto reconhecimento após criar um mundo tão conceitual para mostrar a luta de um homem contra algo tão inexplicável, tão intocável como o tempo.




















